A imprensa como ator político
Atualizado: há 1 dia
Ao analisarmos periódicos da época é possível conotar que os jornais da época agiram de maneira a influenciar as opiniões públicas sobre os súditos do eixo.
A Folha da Manhã
Pode-se perceber a partir dos estudos realizados pela Prof.Dra. Susan Lewis que o periódico conhecido como "Folha da Manhã", meio de comunicação utilizado pelo interventor Agamenon Magalhães, tinha como objetivo direcionar o pensamento da população.
"Em Pernambuco, com a Folha da Manhã em pleno funcionamento a fim de disseminar os ideários estadonovistas, ou doutrinar a população, conforme afirmou o próprio interventor, os judeus foram constantemente atacados em editoriais, artigos, matérias diversas que apoiavam o nazifascismo. Em 1940, Agamenon Magalhães se dirigia aos seus leitores com o seguinte questionamento: “Quem salvou o Brasil do marxismo e do judaísmo”? Em suas palavras, “quem salvou o Brasil do marxismo como do Judaísmo, foi o presidente Getúlio Vargas”." (Lewis, Susan. "quem é eSSe Judeu? imigração e preconceito em tempoS ditatoriaiS." Shoah: 80 anoS de: 307.)
"Os ataques acima mencionados seguiram constantemente ao longo dos anos e só começaram a arrefecer após o rompimento do Brasil com as potências do Eixo e sua posterior declaração de guerra. A partir de então, os inimigos passaram a ser os “súditos do Eixo” e novas tramas políticas se armaram. O medo da espionagem nazista, associado às ações de controle econômico, político e social, trouxe para o cenário a questão alemã ou o perigo dos “súditos do Eixo”, ou seja, de membros dos países em guerra contra o Brasil". (Lewis, Susan. "quem é eSSe Judeu? imigração e preconceito em tempoS ditatoriaiS." Shoah: 80 anoS de: 307.)
A Quinta coluna
A imprensa utilizou o termo "quinta coluna" para designar estrangeiros que supostamente agiam em favor do Eixo, criando um clima de paranoia social. Atividades culturais legítimas da comunidade alemã foram retratadas como atos de espionagem. Essa retórica incentivou a população a atuar como força fiscalizadora e delatora contra seus vizinhos de origem germânica
A reação popular
A campanha midiática teve efeitos devastadores, resultando no isolamento social e estigmatização dos alemães, muitos dos quais perderam seus negócios e laços comunitários. Em agosto de 1942, o sentimento de hostilidade culminou em episódios de depredação de estabelecimentos comerciais (conhecidos como "quebra-quebra") após o afundamento de navios brasileiros. Além disso, a polícia intensificou prisões, cassação de licenças e o afastamento de cidadãos e religiosos de regiões litorâneas
"No Recife, em agosto de 1942, multidões saíam às ruas depredando estabelecimentos comerciais de alemães, japoneses e italianos como reação aos afundamentos de cinco navios brasileiros no dia 15 daquele mês. O incidente ficou conhecido como o quebra-quebra: “na Sorveteria Gemba, na Praça Joaquim Nabuco, soubéramos depois, lançara-se gás sulfídrico e depredara-se suas instalações, o que a obrigou a permanecer fechada por um longo período”", afirma Rostand Paraíso (PARAÍSO, Rostand. O Recife e a 2ª Guerra Mundial. Recife: Comunicarte, 1995)
Reflexões
A imprensa pernambucana foi um braço eficaz do autoritarismo, demonstrando como os meios de comunicação podem ser submetidos a interesses políticos para construir estereótipos e legitimar a exclusão étnica. O estudo serve como um alerta sobre os perigos da perda da liberdade de imprensa e da sua subordinação ao poder político.
Comentários